No aniversário de Caio Vianna Martins, relembre sua trajetória

13 julho 2016

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Caio Vianna Martins nasceu em Matozinhos em 13 de julho de 1923, Minas Gerais. Estudou no colégio Afonso Arinos, de Belo Horizonte, onde entrou para o Escotismo, em 10 de setembro de 1937.

Na noite de 19 de dezembro de 1938, Caio Vianna Martins, aos 15 anos de idade, estava com seu destino traçado, semelhante aos grandes heróis da história. O Grupo Escoteiro Afonso Arinos organizou uma excursão a São Paulo. A delegação era formada por 25 membros, que ocupavam um vagão no meio do trem noturno. Às 2h05 da madrugada do dia 19 de dezembro, entre as pequenas estações de Sítio e João Aires, aconteceu terrível desastre, quando se chocaram o trem noturno que descia, com o trem cargueiro que subia.

Muitos vagões descarrilaram, outros engavetaram e alguns se levantaram. O vagão da frente ao ocupado pelos escoteiros saltou dos trilhos, atravessando para a direita, engavetando-se, partindo-se e tombando sobre o barranco, comprimido para a frente pela pressão dos carro restaurante e leito. Os escoteiros que resistiram ao impacto das composições reuniram-se em um ponto à direita da estrada, dentre eles Caio Vianna Marins, monitor da patrulha Lobo, que recebeu forte pancada na região lombar, sendo sentida a falta do Escoteiro Gerson Issa Satuf e do Lobinho Hélio Marcos. Na procura, ambos foram encontrados mortos.

Os escoteiros dedicaram-se a prestar os primeiros socorros a todos os feridos e fazendo uma grande fogueira para auxiliar as buscas e o trabalho de salvamento. Para isso, utilizaram todo material que tinham disponível, os colchões, cobertores e lençóis dos vagões-leito, confeccionando macas e abrigo para as pessoas mais feridas.

O socorro só chegou às 7 horas da manhã do dia 19. A equipe de socorro transportou os passageiros feridos, inclusive alguns escoteiros, para um hospital em Barbacena. Caio Martins, em conseqüência do traumatismo, sofria de hemorragia interna. Retirado do vagão pelos companheiros e recolhido ao vagão leito, parecia dar sinais de estar melhor. Pouco depois quando seria levado para Barbacena e notando que um enfermeiro se aproximava com a maca, ele olhou ao redor e viu que havia outros feridos mais necessitados. Encarando o enfermeiro disse: “Não. Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Um Escoteiro caminha com as próprias pernas”.

Acompanhado dos amigos, seguiu andando, para a cidade. O esforço que fez, porém, foi muito grande. Ao chegar ao hotel deu alguns passos e caiu, expelindo muito sangue pela boca. Levado para a Santa Casa faleceu às duas horas do dia 20, na presença de seus pais.

Foi sepultado no cemitério de Bonfim, em Belo Horizonte, junto do Escoteiro Gerson e do Lobinho Hélio Marcos.

Pela sua coragem, Caio Vianna Martins foi reconhecido como um exemplo a ser seguido, sendo posteriormente homenageado de diversas formas:
* Recebeu o título de “Escoteiro Símbolo do Brasil”;
* O estádio de futebol de Niterói foi chamado Estádio Caio Martins em homenagem ao jovem escoteiro.
* Em Juiz de Fora – MG, foi-lhe erguido um monumento no parque central da cidade (Parque Halfeld). A estátua foi doada pelo Grupo Escoteiro Caiuás com o apoio do Instituto Granbery.
* Vários grupos escoteiros em todo o país receberam seu nome.